20 anos de Seresta Brasil e Choro Plural

Projetos fortalecem tradição musical em Santos/SP

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Foto: Arquivo ZC

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Duas décadas após sua criação, os projetos Seresta Brasil e Choro Plural se consolidam como importantes iniciativas de preservação e difusão da música tradicional brasileira em Santos. Criados a partir da mobilização de um grupo liderado por Paulo Ricardo Carvalho Sena (Ayruã Tembé), de origem indígena, os projetos mantêm sua essência coletiva, contando com a atuação de colaboradoras como Vera Beatriz Vieira e Angela Maria Luz Siebra, que seguem contribuindo de forma ativa para a continuidade das ações.

Ao longo desses 20 anos, as iniciativas já atenderam centenas de pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, com forte presença de públicos em situação de vulnerabilidade social, incluindo moradores de regiões periféricas, estudantes de escolas públicas e, em algumas ações, pessoas privadas de liberdade. Muitos participantes iniciaram como alunos e passaram a atuar como músicos e multiplicadores culturais, ampliando o alcance das práticas dentro da própria comunidade.

No eixo do choro, o projeto Choro Plural consolidou-se como espaço de formação e convivência musical, mantendo viva uma das mais importantes expressões da música instrumental brasileira. Por meio de rodas, oficinas e encontros, o projeto possibilita o aprendizado coletivo e o contato direto com um repertório que atravessa gerações.

Já no campo da seresta, o projeto Seresta Brasil reafirmou ao longo do tempo o valor dessa manifestação como prática cultural de encontro e memória. As atividades promovem a ocupação de espaços comunitários e o fortalecimento de vínculos entre diferentes gerações, mantendo viva uma tradição marcada pela convivência e pela valorização da música brasileira.

A cidade de Santos, com sua diversidade cultural e forte identidade histórica, segue sendo o cenário das ações, que se expandem também para a Área Continental, especialmente em territórios com menor acesso à cultura. Ao longo dessas duas décadas, os projetos contribuíram para ampliar o acesso às práticas culturais e fortalecer o sentimento de pertencimento na comunidade.

Para o coordenador dos projetos, o momento é de reconhecimento da trajetória e de expectativa em relação ao futuro:
“São 20 anos de trabalho contínuo, mantendo viva uma tradição que precisa ser valorizada. Acreditamos que políticas públicas como a PNAB podem abrir novas possibilidades e ajudar a fortalecer ainda mais iniciativas como essas, ampliando o alcance e garantindo continuidade”, afirma Paulo Ricardo Carvalho Sena (Ayruã Tembé).

As colaboradoras também destacam a importância da trajetória construída. Para Vera Beatriz Vieira, “acompanhar esses 20 anos é ver o quanto a música transforma vidas e aproxima pessoas, principalmente em comunidades que muitas vezes não têm acesso a esse tipo de atividade”. Já Angela Maria Luz Siebra ressalta que “o trabalho desenvolvido ao longo desses anos mostra que tradição e inclusão podem caminhar juntas, criando oportunidades e mantendo viva a cultura”.

Ao completar 20 anos, os projetos Seresta Brasil e Choro Plural seguem ativos, reafirmando seu papel na formação cultural, na inclusão social e na preservação das tradições musicais, enquanto olham para o futuro com a expectativa de ampliar ainda mais seu impacto.