Músico atuante no interior de Mato Grosso

Reside em Diamantino desenvolve destaca atuação artística e cultural.

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Foto. Arquivo ZC

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Ricardo Sena-Ayruã Tembé é compositor, produtor musical e audiovisual e agente artístico, com uma trajetória sólida na música independente brasileira. Iniciou sua jornada aos 14 anos, escrevendo letras de músicas, e atualmente possui mais de mil letras certificadas, resultado de décadas de produção autoral contínua e diversa.

A trajetória de Paulo Ricardo Carvalho Sena-Ayruã Tembé é marcada por deslocamentos, pertencimentos múltiplos e uma relação profunda com a cultura brasileira. Filho de pai baiano e mãe gaúcha, nasceu na Bahia, mas foi registrado no Rio Grande do Sul, a pedido do avô paterno — um gesto simbólico que, desde cedo, representou a convivência entre diferentes territórios, identidades e tradições.

Descendente de povos originários, pertence à Tribo Kantaruré, também conhecida como Pankararu. Essa ancestralidade indígena se manifesta não apenas em sua identidade pessoal, mas também na forma como compreende a arte e a música como expressões coletivas, memória viva e instrumentos de resistência cultural.

Ao longo de sua carreira, atuou como produtor de artistas da música brasileira, como a cantora Vanusa, além dos cantores Fábio Stella, parceiro de Tim Maia, e Luiz Wagner, conhecido como “O Guitarreiro”. Sua atuação sempre transitou entre a criação autoral, a produção artística e o acompanhamento de intérpretes em diferentes momentos de suas trajetórias.

Ricardo Sena-Ayruã Tembé lançou cerca de 15 músicas, que juntas somam aproximadamente 6 milhões de reproduções nas plataformas digitais. Entre os destaques está a canção Me Escute Bem, composta em parceria com o músico uruguaio Sergio Colombo. A gravação, interpretada por Markes Brasil, já ultrapassou 1 milhão de reproduções no Spotify, consolidando-se como um de seus trabalhos de maior alcance.

É filiado à União Brasileira de Compositores (UBC) e foi aluno do produtor Rick Bonadio, experiência que contribuiu para o aprofundamento técnico e estratégico de sua atuação profissional.

Atualmente, reside em Diamantino, onde desenvolve parte central de sua atuação artística e cultural. A vivência no estado possibilitou contato direto com intérpretes de diferentes regiões, ampliando seu entendimento sobre as realidades sociais, culturais e artísticas locais. A partir desse enraizamento territorial, passou a direcionar esforços para estimular, orientar e promover novos intérpretes, criando oportunidades concretas de gravação, profissionalização e circulação de obras autorais.

Nesse contexto, lançou recentemente dois talentos do estado: a cantora Fabiana Leite, que gravou a canção Venha pra Ficar, de sua autoria, e o cantor Arnaldo Mello, que registrou o forró autoral I Don't Love You, Baby.

Esse movimento se conecta diretamente ao Projeto Revelasom, idealizado por Sena. Trata-se de uma proposta voltada à seleção de intérpretes de diferentes regiões do Mato Grosso para integrá-los em um álbum coletivo, garantindo que o estado esteja representado de forma ampla e diversa. A iniciativa prevê a escolha de artistas, oferecendo a eles a oportunidade de participar de um processo profissional de gravação, orientação artística e lançamento musical. Para viabilizar essa proposta, os editais culturais, como a PNAB, são fundamentais, pois possibilitam a execução do projeto e a valorização de novos intérpretes.

Diamantino, localizada no centro-sul de Mato Grosso, sobre a Chapada dos Parecis, abriga cerca de 22,5 mil habitantes e destaca-se como um importante polo do agronegócio nacional na produção de grãos e algodão. Geograficamente privilegiada por situar-se entre as bacias Amazônica e Platina, a cidade equilibra sua força econômica com um rico patrimônio histórico e cultural, preservado em seu casario colonial e em rotas tradicionais como a Serra Calçada.