“Reisado em Sena”: três décadas de trajetória
Grupo atua em Coronel Fabriciano-MG
Foto: Zoom Cultural
Folia de Reis: três décadas de continuidade cultural no âmbito familiar
A Folia de Reis, também conhecida como reisado, é uma manifestação cultural e religiosa de origem ibérica, incorporada às práticas populares brasileiras e tradicionalmente realizada entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro. Sua permanência ao longo do tempo está diretamente relacionada à transmissão de saberes entre gerações, frequentemente no âmbito familiar.
Nesse contexto, insere-se a trajetória da família Sena, composta por Shirley Sena, com mais de 80 anos, Mara Carvalho, com 70 anos, e Ricardo Sena, com 54 anos, além de Silvia Ivonice Carvalho Sena, Angela Maria Luz , Edison Rodrigues, Maria Josefa e Arnaldo Silva Melo, que atuam conjuntamente na preservação dessa tradição ao longo de mais de três décadas.
A atuação do grupo, hoje identificada como “Reisado em Sena”, se consolidou a partir da vivência familiar contínua com a Folia de Reis. Segundo Shirley Sena, “a gente não começou isso como projeto, isso já fazia parte da nossa vida, veio de antes, dos mais velhos”. Sua fala evidencia o caráter ancestral da prática, mantida pela convivência e pela repetição dos rituais ao longo dos anos.
Seila Sena reforça essa continuidade ao destacar que “os cantos, as rezas e o jeito de fazer a folia foram sendo passados naturalmente, sem precisar ensinar como numa escola, era vivendo junto”. Essa forma de transmissão oral e prática é um dos elementos centrais para a preservação da manifestação.
Ricardo Sena, responsável pela condução musical e organização das atividades, observa que “com o tempo a gente foi entendendo que precisava dar nome e organizar melhor aquilo que já existia, e foi assim que surgiu o Reisado em Sena”. Sua fala indica o momento em que a prática familiar passa a assumir uma forma mais estruturada, sem perder seu caráter tradicional.
A relação da família com a Folia de Reis foi inicialmente fortalecida no estado do Rio Grande do Sul. Conforme relatado por Arnaldo Mello, “quando tivemos contato mais direto com a folia, percebemos que aquilo já dialogava com a nossa história, com o que a gente já vivia em termos de fé e cultura”. Esse reconhecimento contribuiu para a incorporação definitiva da prática ao cotidiano familiar.
Na década de 1980, com a mudança para Minas Gerais, especialmente para o município de Coronel Fabriciano, a tradição foi mantida e ampliada. Vera Beatriz Vieira destaca que “a mudança não interrompeu nada, a gente continuou fazendo, e foi aqui que a prática ganhou ainda mais força”. Angela Maria da Luz complementa que “cada lugar tem seu jeito, mas a essência da folia foi mantida”.
Josefa Piculi, por sua vez, ressalta o papel da convivência na continuidade da tradição: “é no dia a dia, participando junto, que a gente aprende e mantém tudo isso vivo”. Sua fala reforça a importância do núcleo familiar como espaço de transmissão cultural.
Ao longo dessas três décadas, a atuação do grupo tem se caracterizado pela realização contínua de cortejos, cantos e práticas religiosas, com uso de instrumentos como violão, sanfona e percussões, além da preservação dos elementos simbólicos da Folia de Reis. A condução das atividades e a organização dos rituais evidenciam um compromisso contínuo com a tradição.
Dessa forma, a trajetória da família Sena, consolidada no Reisado em Sena, demonstra a permanência da Folia de Reis como manifestação cultural viva, sustentada pela memória, pela vivência coletiva e pela transmissão contínua de saberes ao longo de mais de trinta anos.